Porque a reforma da previdência precisa ser logo aprovada?

São Paulo, 9 de dezembro de 2017

Antonio J T Bueno, economista.

Pelas razões indicadas no meu artigo anterior (Os números não mentem: o envelhecimento da população brasileira e o déficit da previdência), nem a médio, nem a longo prazo o déficit da previdência social poderá ser quitado pelas contribuições daqueles que dela se beneficiam, caso sejam mantidas as regras ora em vigor.

Vejamos a seguir as consequências de eventual não aprovação da Proposta de Emenda Constitucional - PEC apresentada pelo atual governo, ou ainda como resultado de irresponsável descaracterização daquela proposta, caso a mesma venha a ser aprovada tão somente através do excessivo abrandamento das medidas nela contidas.

Se não for possível vislumbrar claramente - no decorrer dos próximos meses - a real possibilidade de efetuar-se de forma paulatina, mas concreta, a eliminação do déficit da previdência (estimado em R$184 bilhões, no ano em curso) e levando em conta ainda o teto legal de gastos a que o governo deve ater-se, o mesmo não terá meios de garantir já em 2018 o atendimento a todos os beneficiários, abrangendo aposentadorias, pensões e benefícios sociais diversos.

Esse déficit está descontrolado e a ponto de arruinar o orçamento da república, ao avançar sobre recursos reservados a funções essenciais, como é o caso das áreas da saúde, da educação e da segurança, todas elas já precariamente atendidas. Se não prontamente eliminado o déficit, a presente situação de desgoverno continuará a agravar-se e terá, por sua vez, as suas próprias e nefastas consequências:

  • A nota de risco soberano do Brasil será rebaixada ainda mais, face a real possibilidade de insolvência do estado;
  • Nessa nova conjuntura, desaparecerá o interesse de investidores externos pelo nosso país, ao passo que os investidores internos buscarão refúgio em divisas internacionais, como o dólar norte-americano e o euro, ou tentarão investir em ativos negociados no exterior;
  • Haverá acentuada redução da oferta de bens e de serviços, face emergentes dificuldades de financiamento à indústria, ao comércio e até mesmo à agricultura;
  • A inflação aumentará significativamente, devido à retração da oferta de bens e de serviços;
  • O desemprego crescerá de forma sensível, enquanto a renda das famílias cairá fortemente;
  • O empobrecimento das classes mais desfavorecidas atingirá nível insuportável;
  • Os jovens brasileiros constituirão o grupo mais duramente atingido.

E mais do que tempo de os senhores integrantes da Câmara dos Deputados e do Senado decidirem o que pretendem fazer.

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