Primeiro de setembro de 1939 – In Memoriam

Antonio J T Bueno - 30/08/2017

Antes do amanhecer do dia 1o de setembro de 1939, sessenta divisões do exército alemão (Wehrmacht) apoiadas por tanques Panzer e por 1.250 aviões de combate - incluindo os temíveis bombardeiros Stukas – iniciaram covarde e brutal invasão da Polônia.

As forças armadas hostis totalizavam em meados de setembro pouco mais de 2 milhões de combatentes (aproximadamente 1,5 milhão de soldados germânicos, 466,515 soldados soviético (a partir de 17 de setembro, data da invasão soviética) e 51.306 militares eslovacos), contra cerca de 1 milhão de heroicos defensores poloneses.

Varsóvia resistiu bravamente até acabar a munição, rendendo-se somente em 28 de setembro de 1939. Essa capital foi arrasada pelos bombardeios intensos, que causaram as mortes de mais de 18.000 civis, incluindo mulheres e crianças.

Em 6 de outubro de 1939, a Alemanha e a URSS dividiram entre si todo o território polonês, estarrecendo o mundo. A II Guerra Mundial começara com uma dupla traição à Polônia, de parte de dois países que se odiavam.

 

As baixas sofridas pelo exército e pela polícia de fronteira poloneses perante o ataque soviético na parte leste do país (Lwow) vitimaram entre 3.000 e 7.000 militares (dados como mortos ou desaparecidos), além de 20.000 feridos e de 230.000 soldados capturados. A defesa polonesa dispunha de 270.000 combatentes, que enfrentaram 466.516 militares soviéticos.

Os nazistas haviam dado passos iniciais para a guerra de conquista da Europa ao convencer a Grã-Bretanha e a França a aceitar a revisão do Tratado de Versalhes e o rearmamento da Alemanha em 1935. Seguiram-se, em 1936, a reocupação da Renânia e, em março de 1938, a anexação da Áustria (Anschluss).

Em setembro de 1938, Neville Chamberlain, o Primeiro Ministro da Grã-Bretanha, e o seu colega Edouard Daladier, Primeiro Ministro da França, haviam cedido vergonhosamente à pressão de Hitler, em Munique; e concordado com a anexação pela Alemanha da região fronteiriça da Checoslováquia denominada Sudetenland (os Sudetos), em grande parte habitada por pessoas de língua e cultura germânicas. Em troca, Hitler havia assumido o compromisso de não agressão aos britânicos e franceses.

Edouard Daladier e Neville Chamberlain eram adeptos da chamada política de apaziguamento (appeasement), que consistia em ceder sempre a cada nova exigência do tirano nazista. Em março de 1939, Hitler havia ordenado a ocupação pela Wehrmacht de todo o território checoslovaco, desta forma quebrando a promessa feita anteriormente a Chamberlain e a Daladier, no sentido de que o avanço alemão seria restrito aos Sudetos, pois não haveria outras pretensões territoriais germânicas.

Em 31 de março, o Primeiro Ministro britânico havia emitido declaração formal de que a Grã-Bretanha garantiria as fronteiras da Polônia, promessa que não estava preparado para cumprir e que, de fato, nunca cumpriu. Hitler pouco se havia incomodado com essa vã garantia britânica, tanto assim que, secretamente, já em 3 de abril, ordenara à Wehrmacht que se preparasse para invadir a Polônia em 1o de setembro de 1939.

Ficou famosa a definição de Winston Churchill sobre ‘apaziguamento’. Segundo ele, tratava-se de “comportamento voltado para alimentar um crocodilo, satisfazendo todas as suas exigências, na esperança de ser devorado por último”.

A sombria data de 1o de setembro de 1939 marcou não apenas o início de mais um conflito mundial, mas também o acirramento das perseguições nazistas aos judeus, o que logo levaria à tragédia do Holocausto. Em 1o de setembro de 2017, terão sido completados 78 anos contados do vil ataque nazista e soviético à Polônia.

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